Educação
Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em
Construção
A
inclusão das pessoas com surdez sempre foi muito polêmica, mas recentemente
ganha uma nova visão. De acordo
com a perspectiva inclusiva com base nos princípios decorrentes dos
novos paradigmas, precisa ser redirecionados, construindo novas infinitas
possibilidades que levem as pessoas com surdez um aprendizado contextualizado e
significativo, valorizando seu potencial e desenvolvendo suas habilidades,
cognitivas e sociais.
Os
autores afirmam que:
Não
vemos a pessoas com surdez como deficiente, pois ela não é, mas tem perda
sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que limita biologicamente para
essa função Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico
humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos
perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser
de consciência, pensamento e linguagem. (DAMÁZIO e FERREIRA – 2010).
E
com isso Damázio (2008) observa que:
A
surdez não afeta os aspectos cognitivos das pessoas com surdez que a tem.
Trata-se de uma necessidade especial que pode atrasar algumas áreas do
desenvolvimento, pois a linguagem é uma das principais vias para apropriação
cultural, todavia não torna as pessoas menos capazes.
Por
isso é importante frisar que a maior dificuldade não é a língua, mas sim os
ambientes educacionais que não estimulam e nem desafiam o pensamento. Devemos
focar na eficácia de novas práticas pedagógicas com qualidade onde os sujeitos
possam ser estimulados, capazes, produtivos e constituídos de várias
linguagens, com potencialidades para adquirir e desenvolver não somente os
processos visuais gestuais, mas também ler e escrever as línguas a seu redor.
De
acordo com o decreto[1] 5.625 de 5 de dezembro de
2005, que determina o direito de uma educação que garanta a formatação da
pessoa com surdez em que a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa,
preferencialmente na modalidade escrita, constituíram línguas de instrução e
que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar colaborando para o desenvolvimento de
todo o processo educativo.
Oferecer
ambientes propícios para o desenvolvimento do seu potencial e práticas inovadoras
são objetivos do AEE, que disponibiliza serviços e recursos que visa a
autonomia e a independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa
com surdez na escola e fora dela.
Conforme
Damázio (2007), o AEE envolve três momentos didáticos pedagógicos:
• O atendimento
Educacional Especializado em Libras: Que acontece em horário oposto ao da
escolarização, se trabalha os conteúdos curriculares que estão sendo estudados
no ensino comum em libras.
• O atendimento
Educacional Especializado para o ensino de Libras: Deve ser planejado de acordo
com o conhecimento que o aluno tem a respeito de Libras e o profissional
adequado deve ser habilitado preferencialmente surdo.
• O atendimento
educacional Especializado em Língua Portuguesa: deve acontecer diariamente, no
horário oposto e tem como objetivo desenvolver as competências
linguísticas, bem como a textual para que sejam capazes de lerem e
escreverem em língua portuguesa.
Sabemos
que as reflexões apresentadas são de grande valia, porém é importante lembrar
que quando eu aceito a língua de uma outra pessoa, eu aceito a pessoa. Quando
eu rejeito a língua, eu rejeito a pessoa porque a língua é parte de nós mesmos.
E é valorizando as diferenças humanas, não pela diferença que a deficiência
impõe, mas por ser um humano único, com
singularidades únicas.
REFERÊNCIA:
Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo
05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional
Especializado em Construção, p. 46-57.
[1]
Regulamenta a Lei no
10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de
Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de
dezembro de 2000. Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa com surdez
aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio
de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da
Língua Brasileira de Sinais – Libras.
Parabéns Karla, seu texto está dentro da solicitação da equipe de PS.
ResponderExcluirAbraços
Sandra