terça-feira, 18 de março de 2014

Educação Escolar para Pessoas com Surdez



Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção
A inclusão das pessoas com surdez sempre foi muito polêmica, mas recentemente ganha uma nova visão. De acordo com a perspectiva inclusiva com base nos princípios decorrentes dos novos paradigmas, precisa ser redirecionados, construindo novas infinitas possibilidades que levem as pessoas com surdez um aprendizado contextualizado e significativo, valorizando seu potencial e desenvolvendo suas habilidades, cognitivas e sociais.
Os autores afirmam que:
Não vemos a pessoas com surdez como deficiente, pois ela não é, mas tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que limita biologicamente para essa função Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem. (DAMÁZIO e FERREIRA – 2010).
E com isso Damázio (2008) observa que:

A surdez não afeta os aspectos cognitivos das pessoas com surdez que a tem. Trata-se de uma necessidade especial que pode atrasar algumas áreas do desenvolvimento, pois a linguagem é uma das principais vias para apropriação cultural, todavia não torna as pessoas menos capazes.

Por isso é importante frisar que a maior dificuldade não é a língua, mas sim os ambientes educacionais que não estimulam e nem desafiam o pensamento. Devemos focar na eficácia de novas práticas pedagógicas com qualidade onde os sujeitos possam ser estimulados, capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidades para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais gestuais, mas também ler e escrever as línguas a seu redor.
De acordo com o decreto[1] 5.625 de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a formatação da pessoa com surdez em que a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, constituíram línguas de instrução e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.
Oferecer ambientes propícios para o desenvolvimento do seu potencial e práticas inovadoras são objetivos do AEE, que disponibiliza serviços e recursos que visa a autonomia e a independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela.
Conforme Damázio (2007), o AEE envolve três momentos didáticos pedagógicos:
• O atendimento Educacional Especializado em Libras: Que acontece em horário oposto ao da escolarização, se trabalha os conteúdos curriculares que estão sendo estudados no ensino comum em libras.
• O atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras: Deve ser planejado de acordo com o conhecimento que o aluno tem a respeito de Libras e o profissional adequado deve ser habilitado preferencialmente surdo.
• O atendimento educacional Especializado em Língua Portuguesa: deve acontecer diariamente, no horário oposto e tem como objetivo desenvolver as competências linguísticas, bem como a textual para que sejam capazes de lerem e escreverem em língua portuguesa.

Sabemos que as reflexões apresentadas são de grande valia, porém é importante lembrar que quando eu aceito a língua de uma outra pessoa, eu aceito a pessoa. Quando eu rejeito a língua, eu rejeito a pessoa porque a língua é parte de nós mesmos. E é valorizando as diferenças humanas, não pela diferença que a deficiência impõe, mas por ser um humano único, com singularidades únicas.



REFERÊNCIA:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.


[1] Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa com surdez aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras.

Um comentário:

  1. Parabéns Karla, seu texto está dentro da solicitação da equipe de PS.
    Abraços
    Sandra

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