RELAÇÃO DO
TEXTO “MODELO DOS MODELOS” DE ÍTALO CALVINO E A SUA RELAÇÃO COM O AEE
Ao ler o
texto “Modelo dos Modelos”, puderam me encaminhar a algumas lembranças de
infância escolar, onde algumas lembranças de infância escolar, onde alguns
profissionais da educação estão habituados, avaliar os alunos dentro de um paradigma
de modelos estereotipados, como se cada indivíduo se desenvolvesse igualmente,
exigindo que todos os alunos se enquadrem as suas exigências. No primeiro parágrafo:
“Houve na vida do senhor Palomar
uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o
mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se
adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro proceder às
correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [...].
É possível perceber que o parágrafo acima
mostra de maneira metafórica o modelo tradicionalista que toda pedagogia
liberal buscava uma educação homogênea que todos tinham que seguir o caminho da
mesma forma e aqueles que não atingiam esse processo era excluído do contexto
escolar, ou melhor, eram impedidos de entrarem em qualquer instituição escolar
pelo simples fato de não considerar com a perfeição esperados pelo modelo
pensado. Porém, no segundo trecho do texto:
Mas se por um instante ele deixava de fixar a
harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a
seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram
de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas.”
Já se percebe uma nova visão da educação onde
o perfeito deixa de ser a homogeneidade e a imperfeição começa a ter o seu
espaço, totalmente distinto, pois percebe que deve seguir apenas os seus
princípios e experiências, começando a pensar de uma nova maneira, como
percebemos nesta próxima passagem do texto:
[...] A regra do senhor Palomar foi aos
poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possíveis
transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para
encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse
feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando
assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para
obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até
mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
Nessa passagem podemos perceber o processo de
mudanças de novas perspectivas e isso se dá com a Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva de Inclusão, pois como o personagem do texto Palomar,
deseja uma variedade de modelos que ele gostaria de encontrar, aquele que se
adaptasse melhor a uma realidade que foram feitos de realidades distintas,
afinal, somos iguais nas nossas diferenças, pois somos sujeitos únicos com
habilidades, potencialidades diferentes. Portanto, é necessário que aconteça um
“apagão” na mente ou no modelo aplicado. No AEE é assim, não existe receita
pronta, nós partimos do real, nosso foco é o ser humano, seu atendimento deve
ser voltado para o sujeito e não para sua deficiência, não se pergunta o que
sabe, o professor deverá estar atento, ter sensibilidade, estar na busca de
ferramentas para as novas descobertas, pois os limites sempre existirão, o
importante é saber lidar com eles e tentar superá-los da melhor forma.
Olá Karla, seu texto está muito bem construído e de uma delicadeza extrema. Parabéns, me senti tocada. Sandra.
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